Nada pior do que te sentires vazia como se te tivessem arrancado o coração. Sentires que necessitas de mudar e não consegues porque as memórias ganham vida à medida que as lágrimas caem. Começas a aperceber-te que ninguém ouve cada grito que dás numa forma de socorro, trancas-te no quarto e alimentas a dor que aos poucos te domina, deitas tudo a perder pelo nada, um nada que significa tudo, até aquilo que não te pertence. Deixas de sentir as pernas a tremer cada vez que o vês passar e a maneira como o olhas começa a mudar com o tempo, nem que seja involuntariamente. Vais esforçar-te e tudo isso vai dar em nada, provavelmente acabarás de rastos. Os teus supostos amigos vão falar de ti de tal forma que vais dar por ti a chorar imenso. Irás começar a dar valor ás coisas simples que antes te passavam ao lado e o mais certo é criares uma barreira à tua volta, de um lado estão as coisas que te envolvem e do outro passará a estar o desconhecido. Será mais ou menos uma forma de defesa, será a tua forma de defesa e também será aquilo que os outros vão criticar numa tentativa de te tentar deitar abaixo.
segunda-feira, 23 de abril de 2012
sábado, 7 de abril de 2012
A vida de um rapaz diferente
Um dia, não sei bem o dia exacto, um rapaz contou-me uma história, então foi mais ou menos assim: Havia um rapaz, talvez até fosse o mais popular da escola, não importa, ele era arrogante com as raparigas e só as usava, ele não sabia o significado de ser amigo de alguém, mas julgava ter muitos amigos, tratava mal toda a gente, e já não sabia o que era respeitar alguém, nem ele mesmo. Todos os dias assim que chegava a casa depois da escola a primeira coisa que fazia era culpar a mãe pelas coisas que lhe tinham corrido mal, gritava com ela, e ela num desespero imenso corria para o quarto, trancava a porta e chorava até adormecer em lágrimas. Isto tudo começou após a morte do seu pai, que também era agressivo e batia na sua mãe. Em criança assistiu a todas as vezes em que o pai batia na mãe e gritava com ela, e foi então que aos sete anos ele encontrou a mãe deitada no chão da sala, e prometeu lhe que nunca seria como o pai, nunca tocaria numa mulher. Aos 13 anos o seu pai teve um enfarte e morreu de imediato. E a sua promessa de nunca ser como o pai e de nunca tocar numa mulher ficou feita, mas a medida que os anos passaram as coisas não correram como seria esperado, o rapaz tinha agora 17 anos e tinha se tornado agressivo, batia nas raparigas, gritava com elas, incluindo a própria mãe. A sua mãe não sabia o que fazer, e desculpava o filho com o facto da morte do marido, ela no fundo sabia que não era o mais certo, mas como qualquer mãe só estava a tentar proteger e desculpar o seu filho, mesmo depois de todas as vezes que ele gritara com ela e lhe batia, tal e qual como o pai. Foi então que a mãe do tal rapaz começou a andar em baixo, já quase não falava, e poucas forças lhe restavam. Uns dias depois o filho chega a casa, bastante zangado e a gritar com ela, e o facto de ela não dizer nada pois já nem forças para isso tinha, enervou-o ainda mais e numa força tremenda começou a puxar os cabelos a mãe, mas algo correu mal, um movimento mais brusco e a mãe bate com a cabeça na parede e começa a deitar bastante sangue. Ao mesmo tempo depois de ter tomado consciência do que se tinha sucedido caíram lhe lágrimas pelo rosto, sem saber o que fazer começa a andar aos 'zig-zags' pela sala até que decide chamar uma ambulância. A ambulância chegou, e logo de seguida lhe deram a noticia, era tarde demais, a mãe tinha perdido muito sangue e tinha morrido. O rapaz cai no chão e grita desesperadamente. Tinha perdido a pessoa mais importante da sua vida, e nem lhe pode dizer o quanto a amava. Uns meses mais tarde contaram-me esta história, só que no fim o rapaz que ma contou disse: - Sabes esta é a minha história, eu sou o rapaz da história, matei a minha própria mãe, e nunca lhe disse o quanto a amava, fui pior que o meu pai e não cumpri a minha promessa. Sei que ela sabia que a amava, mas eu nunca lhe disse isso, como ela me dizia e mostrava, e agora, todas as noites olho para o céu, e ela é a minha estrela, a que brilha mais, e nessas mesmas noites eu choro até adormecer e acordo a chorar, tal e qual como ela fazia. E todos os amigos que eu disse ter ao inicio, apoiaram me, mesmo depois de os ter tratado mal, depois de tudo o que lhes fiz, eles sempre foram meus amigos e eu nunca mereci isso, e hoje admito que se não fosse a todo o apoio deles provavelmente já não estaria aqui, a contar a minha historia.
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